Blog de wanda.cunha


20/05/2008




Wanda Cunha


Talvez meu coração não sirva pra nada

Mas ele traz  a fama de amar por mim,

Ainda que um dia me sujeite a um infarto.

Talvez meu coração não sirva pra nada

Mas ele me dá a utópica virtude

De ser um amante platônico

Que faz questão de rejeitar o cardiologista

Na hora de diagnosticar as doenças do coração

Sem os sintomas cardiovasculares.

Talvez meu coração não sirva pra nada

Mas é ele quem me diz

Que te amo e isso me basta para

Senti-lo pulsar no meu peito,

Como um relógio que marca diuturnamente a hora

Da tua chegada.

 



Escrito por wanda.cunha às 20h22
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Mão que te dou


Wanda Cristina


Minha mão é um presente que te dou,

Cheia de tatos e calos,

Cheia de linhas e dedos,

Cheia de juntas,

Mas que quer estar junto à tua

Para dizer sem palavras

Que o amor existe

No encontro silencioso das palmas.

Minha mão é um presente que te dou

Para que eu te levante

E para que tu me levantes

Quando nós precisarmos, um do outro.

Categoria: poesia
Escrito por wanda.cunha às 20h16
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Ó, meu pai!...



Wanda Cunha em parceria com Wanda Cristina


Ó meu pai

Imagina a saudade!....

Nesta vida corrente,

Socorreram-me as lembranças

E a sábias lições que deixaste

E o silêncio precoce das palavras que levaste.

Ó meu pai,

Procurei escrever as poesias que tu sentirias

E fazer minha história sob a história que escreverias

Fiz um projeto dos sonhos que guardaste pra mim

Quis ser tua imagem, quis seguir os teus passos

Mas perdi-me na ausência dos teus abraços

Ó meu pai

Por tua causa acredito no amor,

no respeito,  na paz,  na dignidade,

Eu queria herdar tuas virtudes. 

E herdar  teus defeitos que

- hoje percebo - foram boas qualidades.

 

Eu queria ser um terço de ti

Mas sem ti não consegui ser eu mesma.

 

O amor que te dediquei foi pequeno demais

Para a tua grandeza

  

E quem ignora um amor tão grande e nobre

perde o direito de ser feliz pra ser pobre.

 

Mas

Nunca fui fraca por conta da lembrança da tua fortaleza

Por isso,

 

Ó meu pai, se eu chorar põe a culpa nos meus devaneios,

pois  perdi minha imagem através dos espelhos

 

Nos quais eu me mirei à procura de ti.

 

Categoria: poesia
Escrito por wanda.cunha às 20h06
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A PACIÊNCIA DE JÓ

 

Wanda Cunha


 

    


                                           

                                               Graças ao meu bom Deus, já vão longe os dias em que  eu sentia na pele as tragicomédias a que estão sujeitos os passageiros dos ônibus  intermunicipal e interestadual. As rodovias não são aquelas que aparecem nas propagandas de Governo, bem asfaltadas e devidamente sinalizadas. Contrariamente, sempre estão cheias de buracos, embora a culpa de tal fato recaia, comumente, não nas falhas das construtoras para as quais foram entregues os serviços; mas, nos “engenheiros” de São Pedro, que levam a fama de “construir” crateras em todos os invernos.

Mas isso é apenas um detalhe, considerando  que os próprios coletivos ficam a desejar, desprovidos de condições necessárias para o seu bom desempenho funcional, colocando em risco o conforto e a tranquilidade dos passageiros. Nas BR’s, esses ônibus pregam mais do que Vieira pregou no Seiscentismo. Com a diferença de que Vieira deleitava os espíritos dos fiéis, e os coletivos denegrem a credulidade de qualquer cristão. Ora fura um pneu, ora é problema no carburador, ora tranca o motor, ora é a pastilha do freio, ora o motorista sai às pressas em direção ao mato...

O certo é que, quando se pega o ônibus da Progresso, ele não progride, enquanto está no Maranhão; se se pega o da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, é um “Deus nos acuda!”; e, se um não-fumante pegar o da Continental, é provável até que ele fume, entre tiques nervosos, três maços de hollywood, do Quilômetro Zero a Santa Rita, lamentando a morosidade. Isso sem se contar que o da Timbira, segundo a voz do povo, é sinônimo de “te vira!...”

Contar-lhes-ei uma história que pode até parecer invenção de cronista, mas foi fato verídico que presenciei durante as minhas peregrinações laborais pelas bandas da região do Mearim, fato que só ratifica as assertivas aqui colocadas. Certa vez, um motorista de uma determinada empresa que fazia o trajeto Bacabal/São Luís, após ter  parado o veículo no acostamento da BR, virou-se para um passageiro que insistia em ficar na porta do coletivo:

-        onde o amigo vai ficar?

O passageiro, na gaiatice do seu bom humor, respondeu sem titubear:

-        amigo, vou ficar no próximo prego.

E o motorista era tão equilibrado e paciente que não levou em conta a chacota do passageiro: deu um leve sorriso e arrancou o veículo, assoviando uma canção típica de caminhoneiro.

Quando chegou em pleno Campo de Perizes, o carro deu pane. O motorista desceu, abriu a tampa do motor... Demorou um pouco até que voltasse... Após subir todos os degraus do ônibus, disse ao passageiro gaiato:

- Chegamos onde o senhor queria ficar. – E continuou, dirigindo-se aos demais – Senhores passageiros, fiquem tranquilos, peguem suas bagagens, façam uma fila!... É pra descer um de cada vez, um atrás do outro, calmamente, que o ônibus está pegando fogo...

Categoria: cronica
Escrito por wanda.cunha às 19h54
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19/05/2008


ASPECTOS LINGÜÍSTICOS DE UMA TOADA, de Wanda Cristina


Wanda Cristina


 

CARLOS CUNHA, O CAÇADOR DA ESTRELA VERDE

 


Melodia: Chagas da Maioba

Letra: Wanda Cunha

 


 

Carlos Cunha,

Ó poeta, ó rouxinol,

Tu foste caçar estrelas,

Acender lâmpadas do sol.

 

Não voltaste da viagem

E a Maioba saudosista

Presta aqui esta homenagem

Ao professor e ao jornalista.

 

O Colégio “Nina Rodrigues”

E o “Jornal Posição”

São  exemplos da cultura

Que deixaste ao Maranhão.

 

Trovador e declamador,

Membro da Academia,

Historiador e escritor,

Patrono da boemia.

 

Quem é imortal

Não deixa só a saudade

Deixa a obra e deixa a vida

Como herança pra Cidade.

 


 

 

 

 

FIGURAS DE LINGUAGEM ENCONTRADAS NA MÚSICA:

 

FIGURAS DE PENSAMENTO:

 

EUFEMISMO:  Consiste em substituir uma expressão por outra menos brusca; em síntese, consiste em suavizar alguma idéia desagradável.

PROSOPOPÉIA OU PERSONIFICAÇÃO: consiste em atribuir a seres inanimidados predicados que são próprios de seres animados.

GRADAÇÃO ou CLÍMAX: consiste na apresentação de idéias em progressão ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax).

 

APÓSTROFE: é a invocação ou chamamento de alguém ou de alguma coisa. Corresponde estilisticamente ao vocativo.

METÁFORA: consiste no emprego de uma palavra fora do seu emprego próprio, tendo como base uma comparação subentendida, já que a conjunção comparativa  como  não aparece claramente.

PERÍFRASE OU ANTONOMÁSIA: É o emprego de uma expressão que identifica coisa ou pessoa, salientando suas qualidades ou um fato notável pelo qual ele é conhecida.

 


 Artigo: Aspectos Lingüísticos de uma toada, de Wanda Cristina 

 

 


O presente trabalho objetiva fazer um estudo de uma música, tipicamente maranhense, por intermédio da qual, serão estudados os aspectos lingüísticos da letra, observadas as figuras de linguagem, da mesma forma que se preocupará em estabelecer o contexto histórico a que a música sob análise refere-se.

Esta autora escolheu como objeto de análise a toada de bumba-meu-boi de matraca, intitulada “Carlos Cunha, o Caçador da Estrela Verde”, de autoria melódica de Chagas da Maioba e de letra da escritora Wanda Cunha.

Antemão, no que tange ao contexto histórico, há de se dizer que a toada refere-se a um grande representante da cultura maranhense, Carlos Cunha, poeta, escritor, jornalista, educador, historiador, que, ao longo de sua vida profissional, prestou relevantes serviços à cultura do Maranhão, ora fundando instituições respeitáveis, como o Colégio “Nina Rodrigues”,  escola de cunho socializado com a qual levava educação  aos estudantes de baixa renda; ora fundando jornais, como o jornal posição, órgão de imprensa através do qual combatia o sistema e os malversadores do dinheiro público.

Categoria: artigo
Escrito por wanda.cunha às 21h37
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ASPECTOS LINGÜÍSTICOS DA LETRA DE UMA TOADA, de Wanda Cristina


 

                                               

    Cont...


                                            A letra da toada estabelece esse perfil de Carlos Cunha, conforme se observa abaixo:

 Carlos Cunha,

Ó poeta, ó rouxinol,

Tu foste caçar estrelas,

Acender lâmpadas do sol.

 

A estrofe acima, de começo, já estabelece um perfil de Carlos Cunha. Os versos trazem a primeira metáfora, através do vocativo ó rouxinol. Tem-se, nesse caso, um apóstrofe,  a invocação ou chamamento do poeta Carlos Cunha. Dentro do ponto de vista figurado, rouxinol, ainda que, no seu sentido etimológico, seja a “designação comum de aves passeriformes”, no texto significa uma “pessoa que canta muito bem, que tem linda voz”. Essa metáfora foi usada para traduzir as belas poesias que o poeta fazia, muitas das quais cantadas por compositores como Oberdan Oliveira, por exemplo. Da mesma forma que traduz a facilidade que ele  tinha de “Cantar”, ou seja, celebrar em poesia as emoções e realidades do povo com o qual conviveu Verifica-se que essa relação entre poesia e canto estabelece-se pela contigüidade que há entre o poeta e o rouxinol. Os apóstrofes ó poeta e ó rouxinol  estão vizinhos para configurar exatamente essa relação entre poesia e canto.

No terceiro e quarto versos, “Tu foste caçar estrelas,/ acender lâmpadas do sol”, tem-se o início de um eufemismo que vai se concretizar na próxima estrofe  (Não voltaste da viagem, para não dizer: morreste). Concomitantemente, esses mesmos versos trazem à baila duas obras literárias do poeta “O Caçador da Estrela Verde” e “As lâmpadas do Sol”, que deram alusão ao título da toada.  Considerando que  “O caçador da estrela verde” é uma perífrase do escritor Carlos Cunha, a autora da letra usou a expressão “Caçar Estrelas” para lembrar a perífrase e, ao mesmo tempo, demonstrar a suavidade da partida, da viagem que o poeta fez para a morte, usando expressões eufemísticas, também observadas em “acender as lâmpadas do sol”.

Essa análise é corroborada na segunda estrofe, conforme se vê:

Não voltaste da viagem

E a Maioba saudosista

Presta aqui esta homenagem

Ao professor e ao jornalista.

 

Tem-se, portanto, que o poeta não voltou da viagem na qual foi caçar estrelas e acender lâmpadas do sol. Na verdade, o poeta morreu. Algo que está literalmente entendido no adjetivo “saudosista”, dado à Maioba,  É a super-estimação que o cantador Chagas, representante máximo do folguedo folclórico que é a Maioba, faz ao passado que traduz Carlos Cunha. As palavras professor e jornalista são usadas como antonomásia de Carlos Cunha.

 

 

Categoria: artigo
Escrito por wanda.cunha às 21h24
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ASPECTOS LINGÜÍSTICOS DA LETRA DE UMA TOADA, de Wanda Cristina


Cont...


No que tange à terceira estrofe, a relação entre as antonomásias professor e jornalista se consolidam com os substantivos Colégio “Nina Rodrigues” e “Jornal Posição”. O colégio está para o professor, como o jornal está para o jornalista.

O Colégio “Nina Rodrigues”

E o “Jornal Posição”

São  exemplos da cultura

Que deixaste ao Maranhão.

 

Na quarta estrofe, os adjetivos dados a Carlos Cunha também assumem uma gradação na qual é traçado um perfil de perífrases, cujas amarras são acentuadas no último verso “patrono da boemia”, para identificar, entre outras características de Carlos Cunha, o seu lado boêmio, marcante em escritores do seu tempo e, em particular, no escritor homenageado na toada.

 

Trovador e declamador,

Membro da Academia,

Historiador e escritor,

Patrono da boemia.

 

Na última estrofe, verfica-se:

 

Quem é imortal

Não deixa só a saudade

Deixa a obra e deixa a vida

Como herança pra Cidade.

 

A palavra imortal já sugere um aspecto figurado específico, posto que independentemente de significar  o eterno, o que não morre, também é usada para denominar membros de academias, como o foi Carlos Cunha. Ademais, a palavra saudade, que caracteriza a perpetuação da lembrança do que está distante ou que partiu, também estabelece uma relação semântica  como o que o poeta deixou. No mais, a letra se encerra com uma comparação e uma prosopopéia. Comparação, quando compara a obra e a vida do poeta com uma herança que ele deixou. E a prosopopéia está quando ele humaniza a cidade, como se fosse uma mãe, herdeira do seu filho morto. 

 

 

 

 

 

 

Categoria: artigo
Escrito por wanda.cunha às 21h19
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BRASIL, Nordeste, SAO LUIS, OLHO D AGUA, Mulher, de 46 a 55 anos, Portuguese, Livros, Arte e cultura, música, bumba-meu-boi
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