Blog de wanda.cunha

poesia


13/08/2010


 
 

A História da Garota que Acreditava em Noel

Escrito por wanda.cunha às 22h05
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13/06/2008


Letra da música Nossas Bodas

 


Em homenagem ao meu marido, Washington Menezes, que me atura há precisamente 24 anos (sem que eu fale nos 9 anos de namoro, quando eu o aturei)


BODAS DO NOSSO CASAMENTO (13 de junho, Dia de Santo Antônio)


Washington, eu e o nosso amor (beijos e beijos)


Minha pele pede a teu tato delírios do maracá

Matraco na tua boca toadas ao te beijar.

Minha pele pede a teu tato sussurros do maracá.

Matraco na tua boca toadas ao te beijar.

 

Por São Pedro, por São Paulo, por São Felipe, por São Tiago.

Jurei por todos os santos que serias meus afagos.

 

Santo Antônio é o sinônimo

das bodas do nosso casamento

 

Eu fiz de ti o homônimo

de todos os meus pensamentos.

 

Fogos, folguedos, fogos, fogueiras, fogos, foguetes...

tudo é teu corpo ardendo ao  meu

tudo é teu corpo sobre o meu

tudo é teu corpo dentro do meu.

Escrito por wanda.cunha às 11h02
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20/05/2008


Mão que te dou


Wanda Cristina


Minha mão é um presente que te dou,

Cheia de tatos e calos,

Cheia de linhas e dedos,

Cheia de juntas,

Mas que quer estar junto à tua

Para dizer sem palavras

Que o amor existe

No encontro silencioso das palmas.

Minha mão é um presente que te dou

Para que eu te levante

E para que tu me levantes

Quando nós precisarmos, um do outro.

Escrito por wanda.cunha às 20h16
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Ó, meu pai!...



Wanda Cunha em parceria com Wanda Cristina


Ó meu pai

Imagina a saudade!....

Nesta vida corrente,

Socorreram-me as lembranças

E a sábias lições que deixaste

E o silêncio precoce das palavras que levaste.

Ó meu pai,

Procurei escrever as poesias que tu sentirias

E fazer minha história sob a história que escreverias

Fiz um projeto dos sonhos que guardaste pra mim

Quis ser tua imagem, quis seguir os teus passos

Mas perdi-me na ausência dos teus abraços

Ó meu pai

Por tua causa acredito no amor,

no respeito,  na paz,  na dignidade,

Eu queria herdar tuas virtudes. 

E herdar  teus defeitos que

- hoje percebo - foram boas qualidades.

 

Eu queria ser um terço de ti

Mas sem ti não consegui ser eu mesma.

 

O amor que te dediquei foi pequeno demais

Para a tua grandeza

  

E quem ignora um amor tão grande e nobre

perde o direito de ser feliz pra ser pobre.

 

Mas

Nunca fui fraca por conta da lembrança da tua fortaleza

Por isso,

 

Ó meu pai, se eu chorar põe a culpa nos meus devaneios,

pois  perdi minha imagem através dos espelhos

 

Nos quais eu me mirei à procura de ti.

 

Escrito por wanda.cunha às 20h06
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18/03/2008


A Língua

 


Por Wanda Cristina


A língua é um bom prato

O prato, um bom texto,

O texto, um bom gosto.

Mas que língua degusto

Sobre o prato

Na hora do texto?

 

Já saboreei a língua do boi

Que assanhou a gravidez de Catirina

E deixou Pai Francisco em maus lençóis.

 

Temperei a língua da poesia ao molho pardo

das minhas metáforas

E cozi a língua

Que virou

“última flor do Lácio

inculta e bela”, do poeta e de meus avós.

 

Já suguei a língua que   esteve enroscada à minha,

Atrás da via-láctea de cuspe

No céu da minha boca.

 

Experimentei a língua de sogra

sem a ternura das festas de aniversário.

E quis sentir o sabor da ociosidade ingênua

E apenada da língua dos surdos-mudos.

 

Que não me queira mal minha vizinha,

Mas sua língua ferina não comerei no jantar.

 

Ela, com sua língua de trapo,

Dá com a língua nos dentes sem ser poliglota.

Tem a língua afiada, a língua comprida, a língua de palmo.

 

Nem um banho de língua lava a língua suja dos maldosos

Porque essa é a língua maior que o corpo

E que faz qualquer um cair na língua do povo

 

Por isso é que, no amontoado de línguas,

Criou-se a torre de babel.

 

Por isso, é preciso dobrar a língua

Pra falar a língua

 

 

Pois a língua é um bom prato

O prato, um bom texto,

O texto, um bom gosto.

 

E é por causa da língua que

Boto a boca no mundo.


 

Escrito por wanda.cunha às 23h47
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15/03/2008


AS DUAS ILHAS

 

 


     Por Wanda Cristina

 


Existe a ilha fundada por franceses

E a ilha que seria dos holandeses.

Existe a ilha que já foi dos portugueses

E a ilha que ainda é dos burgueses.

Existe a ilha nas águas do Maranhão

E existe outra ilha nas mágoas do coração.

Existe a ilha que já foi Atenas

E, uma outra ilha que é Jamaica, apenas.

Existe uma ilha cheia de telhados verdes,

De sobradões antigos, de vitrais e de ladeiras.

Existe uma outra ilha, cheia de casebres, sem eira e nem beira.

Existe a ilha dos artesanatos, das comidas típicas,

Das praias tão belas.

Existe uma outra ilha,

cheia de meninos desnutridos,

criados nas ruas e nos mangues e que ninguém revela.

Existe a ilha dos turistas e dos artistas.

Mas existe a ilha dos flagelos, dos buracos e

dos amargurados.

Existe a ilha dos becos

E existe a ilha dos medos.

Existe a ilha cheia de praças

E existe a ilha que perdeu a graça

Existe a ilha das artes e do bumba-meu-boi,

Mas existe a ilha que se parte entre a felicidade que não existe

e a felicidade que nunca foi.

Existe a ilha das lendas antigas

E a ilha das realidades novas e cruas.

Existe a ilha toda arquitetônica,

Empavonada de trejeitos coloniais

Mas existe a ilha tristonha,

Que esconde os marginais.

Existe a ilha dos amores

E existe a ilha das dores.

Existe a ilha dos azulejos e dos mirantes

Mas existe a ilha dos desejos errantes.

Existe um mar de águas cinzentas ao redor da ilha que existe

E existe uma ilha de algas da fome, do abandono e da pobreza

Que o mar das amarguras esconde dentro da ilha que desmente a outra ilha.

A ilha das poesias felizes existe

Mas também existe a ilha dos poetas tristes.

 


 

Escrito por wanda.cunha às 16h44
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14/03/2008


AMOR JAMAICANO

 


Por Wanda Cunha

 


 

Vou regar teus beijos com  minha saliva amarga

E ficar chumbada de beber lua com gelo.

Vou dançar nua frente ao teu espelho

Pra chamar minha atenção

Vou dançar o regue do teu coração

Vou cair na farra do teu corpo nudiúsculo

E entre os teus músculos vou te deixar surdo com os meus sussurros

E que  absurdo! Vou nos ver nus na televisão!....

Vou dormir sem voz e acordar cantando

No balanço do balouço das minhas nádegas

Pra navegar de sorrate  no que tens de melhor

Sem palavras de amor, sem direito a perdão

Vou deixar pra depois minha mania de ser só.

 

 

Escrito por wanda.cunha às 17h29
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13/03/2008


URGENTE - Por Wanda Cristina


 

Urge que eu te diga que é tão tarde

Para dizer que arde o tempo vivido atrás

Urge que eu te diga que é tão cedo

Para morrer de medo pelo tempo que ainda me darás.

 

Urge que eu te diga que mudaste

Como muda o sol na hora do arrebol

Urge que eu te diga que mudei

Como muda a doçura, na hora do parol.

 

Urge que eu te diga que foi grande

O pequeno amor dos anjos que já fomos

Urge que eu te diga que foi muito

O pouco pejo pelo qual passamos.

 

Urge que a orgia de orgasmo

Não ostente horas vadias e vazias

Urge que a maré baixa volte a ser pré (amar)

Urge que nos reencontremos para amar,

Além-mar, após tantas maresias.

Escrito por wanda.cunha às 16h02
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12/03/2008


DEPRESSIVO, de Wanda Cristina

 


 


 

Meus pés despidos já subiram as ladeiras de paralelepípedos nus

 

E desci de saltos altos as mesmas ladeiras,

hoje entregues ao descaso dos piches e do prefeito.

Não ouvi diálogo algum entre as ladeiras e as calçadas cheias de rachaduras.

Ladeiras e calçadas taciturnas.

 

Vi sobradões felizes, acenando as folhas das janelas cheias de vitrais sobre as varandas

 

Hoje os sobradõres, fechados, tombados, espelham a carranca dos limos que escorrem sobre os seus telhados.

E o contraste: o Palácio encantado com o poder 

e os sobradões literalmente tombando, sem  o poder que os levante. 

 

Sabiás se eximem de cantar

Azulejos perdidos, incompletos, pálidos não fazem questão de brilhar

 

Degraus de escadas entre becos solitários viram caminhos

Pelos quais os turistas passeiam sem o mesmo compromisso de amar, a  longo prazo,

Como eu o fiz ao longo da minha vida.

 

Por que fui ao centro da cidade?  Não sei...

Entrei na Lanchonete do Almir.

Pedi um pastel com recheio de queijo,

mas o  recheio do pastel tinha o sabor

amargo das ruas do centro colonial de São Luís.

 

Senti um cheiro de solidão, de abandono.

Meu peito apertou, fez noite dentro de mim,

e um orvalho rolou sobre o meu rosto.

 

Agora tento tirar o cisco...

É!... acho que um cisco entrou nos meus olhos

e fez estrago no único sorriso que eu guardei  para o jantar

 


 

Escrito por wanda.cunha às 23h48
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BALANÇO, de Wanda Cunha

 

 


Eis meu capital:

Um restinho de sonho

Uma sobra de sombra no quintal.

Eis o meu salário:

Um sorriso estanque

Um choro hilário.

Eis o meu dinheiro

Um silêncio com que palito os dentes

Pra jogar no lixeiro

Eis o meu provento:

Uma decepção,

Um resto de sentimento

Eis a minha aposentadoria

Uma esperança caduca,

Uma falsa alegria.

Eis minha poupança

Uma saudade antiga

Uma  vaga lembrança

E eis  a minha inflação

Tamanha tristeza

Num pequeno coração

E eis meu cheque sem fundo

Dei a minha pureza

Em troca do mundo.

Eis a correção monetária

É tanto passado

Que ultrapassa a faixa etária

 

Eis meu   juro de  mora

Fui menina e fui jovem,

Hoje, sou senhora.

 

E eis meu saldo devedor

deixei passar a vida

à espera de um grande amor


Escrito por wanda.cunha às 22h27
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VIDRILHO, de Wanda Cristina

 



Sempre estou descalça

Quando os vidros se quebram

Mas visto um baby-doll

Na hora do frio

Se não existe sono

Invento um poema

E cada minuto é diferente

Porque nunca sou igual.

Há muito tempo deixei de ler jornal

Porque as notícias me chegam nos ouvidos e nos olhos

E meu coração é meu melhor repórter.

Sempre estou descalça,

Quando os vidros se quebram.

E nada é igual enquanto a vida passa.

 



Escrito por wanda.cunha às 22h22
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BRASIL, Nordeste, SAO LUIS, OLHO D AGUA, Mulher, de 46 a 55 anos, Portuguese, Livros, Arte e cultura, música, bumba-meu-boi
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